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O Tenente William Thomaz coordenou a implantação da base da Polícia Comunitária Nova Luz na região antigamente conhecida como Cracolândia – um grande foco no uso de crack em São Paulo. Para ele, faltam políticas públicas voltadas ao usuário. Veja também a opinião do SmokeBud sobre o assunto.

Quando um policial que atua em uma das áreas de São Paulo onde as drogas têm seu maior impacto diz que há algo errado, devemos prestar atenção. O tenente da Polícia Militar de SP William Thomaz, coordenador da implantação da base de Polícia Comunitária Nova Luz (localizada na região central antigamente conhecida como Cracolândia) fez uma recente declaração onde diz que o Brasil precisa definir, de uma vez por todas, como deve tratar os usuários de drogas no país.

Participante da mesa Violência contra Minorias e Grupos Vulneráveis do 9º Encontro do Fórum Brasileiro de Segunda Pública (RJ), o tenente questiona a atual política de drogas vigente quando o assunto é quem usa: “Como o brasileiro vai definitivamente tratar estas pessoas? Se é com despenalização e descriminalização, se é com tratamento, então nós precisamos primeiro definir qual é o tratamento jurídico que essa pessoa tem, para depois pensar em políticas públicas”, disse William a EBC.

Mas afinal, qual é a alternativa? William utilizou a criação da praça de serviços inaugurada em 2013 no Largo Coração de Jesus (bairro da Luz) – que oferece serviços, lazer e cultura a usuários de crack e não usuários, tudo aos olhos da polícia – e a própria inauguração da base policial como exemplos de uma outra forma de tratamento a quem usa drogas.

A ideia é a policia dar 100% de apoio aos programas de ação social e de saúde. A policia sai como a repressora ou como a primeira ideia da política publica e entra como apoio e no combate ao tráfico de drogas muito mais forte, diz o tenente.

Apesar de ainda estar longe do ideal, o modelo sugerido por William se aproxima mais das políticas de redução de danos utilizadas em países muito menos caretas quando o assunto são as drogas, como Portugal e Holanda.

Está na hora das autoridades darem ouvido não só ao povo, mas aos seus próprios subordinados – pessoas que vivem seu dia a dia diretamente envolvidas neste problema. A exemplo do tenente, eles também têm muito a ensinar.

A realidade do dia a dia

Apesar de extremamente benéfica para o dialogo das drogas no país e de questionar o método vigente de se tratar os usuários, a tal política de redução de danos por aqui não bate muito bem com a realidade.

Sou morador de Guarulhos, na Zona Norte de São Paulo, e como bom amante da cultura paulistana, vou com frequência ao centro da cidade. E o que se vê – não só por mim, mas por quem passa pela região – é que o problema está longe de chegar ao fim. Apesar de não haver mais a concentração de usuários na chamada Cracolândia, as provas da falha da guerra às drogas ainda podem ser vistas sem muito esforço.

(…) tentar tornar os usuários invisíveis não resolve a questão. Temos que dar a atenção devida a estas pessoas para que elas possam ter uma vida justa, um trabalho, um teto e, acima de tudo, dignidade (…)

A maioria dos usuários que se reuniam em um só local debandou para outros bairros da região. Ou seja, as iniciativas governamentais adotadas não estão tendo o efeito desejado. Os usuários não estão se tratando, eles apenas não estão mais lá.

Vale lembrar que tentar torna-los invisíveis não resolve a questão. Temos que dar a atenção devida a estas pessoas para que elas possam ter uma vida justa, um trabalho, um teto e, acima de tudo, dignidade – assim como realmente acontece com a política de redução de danos adotada por outros países.

Já dizia o mestre Criolo: “Você pode dizer que o gigante não existe. Mas quando ele começa a pisar no seu jardim, você vai perceber que suas flores estão amassadas”.
Este é apenas um começo para que o assunto das drogas no Brasil seja encarado da forma que precisa.

1 COMENTÁRIO

  1. Não é aceitável as pessoas usarem senso comum pra ser contra sem ao menos informar se sobre o que de fato a Maconha.
    Quem é contra a regulamentação e descriminalização das drogas torna se cúmplice das milhares de pessoas que morrem por causa dessa falida GUERRA AS DROGAS.
    Atualmente na internet existem diversos sites com muita informação a respeito dos benefícios da Cannabis nos 3 usos (Medicinal – Industrial – Recreativo)
    Fora isso existe a minha e a sua liberdade individual que na teoria é linda, mas na prática não funciona.

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